sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Ratimbum
Sujo, entregue a um tesão barato e a fútil busca de algo que vibre. Os olhos vidrados se fixam em qualquer ponto profundamente enraizado dentro de mim. Encaro o vazio de frente, a escuridão aqui é sedutora e feroz. Deixo-me envolver por ela e volto dessa monstruosa cruzada em pedaços. Sujo, o sopro que assoma nunca é o bastante.
sábado, 23 de julho de 2011
sábado, 25 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Desembaraço
até quando preguiça?
até quando tédio,cansaço prematuro, desânimo universal e preguiça?
até quando pobre, burro, ridículo e pequeno?
até quando nem morto nem vivo, nem cheio nem vazio?
até quando essas dores, esses nós, esses demônios, luzes, torções, rompimentos, inaptidões, torcicolos, distensões e trevas?
até quando a falta de razão, o inexplicável, a raiva, as mentiras, angústias, medos, vergonhas, responsabilidades impostas, maturidade suposta, realidade escondida, mente dopada, raciocínio anuviado?
Quanto tempo mais eu vou conseguir fechar os olhos, fingir não vislumbrar, usar meus óculos escuros feitos de um vermelho profundo?
Será que ainda falta muito para que eu caia, atinja o fundo, morra para tudo e enlouqueça de uma vez?
Queria saber das horas que ainda tenho de forças, quantas reservas, quanta força de abafamento ainda me sobra para conter os meus gritos, meus choros, meus ódios, meus ridículos amores, minhas feridas que recuso a tratar, minhas paixões pervertidas.
Quantas cinzas mais têm que cair?
Quantos passos mais tenho que dar?
Quantos riscos mais tenho que correr?
Quantas loucuras mais tenho que aplacar?
Que dias são esses que vivo são? Não consigo pensar direito, me fechei de todos os lados e não sei por onde sair. Nada sinto, nada vejo, nada ouço, nada penso. Estou morto em mim e sou meu próprio assassino. Calei-me e fechei-me nas rotinas, nos sistemas, no ser normal. Desejei tanto me tornar o que sou, mas agora vejo que não poderia calar totalmente esse diabo aqui dentro.
Romper.
O sonho é sempre: romper.
até quando tédio,cansaço prematuro, desânimo universal e preguiça?
até quando pobre, burro, ridículo e pequeno?
até quando nem morto nem vivo, nem cheio nem vazio?
até quando essas dores, esses nós, esses demônios, luzes, torções, rompimentos, inaptidões, torcicolos, distensões e trevas?
até quando a falta de razão, o inexplicável, a raiva, as mentiras, angústias, medos, vergonhas, responsabilidades impostas, maturidade suposta, realidade escondida, mente dopada, raciocínio anuviado?
Quanto tempo mais eu vou conseguir fechar os olhos, fingir não vislumbrar, usar meus óculos escuros feitos de um vermelho profundo?
Será que ainda falta muito para que eu caia, atinja o fundo, morra para tudo e enlouqueça de uma vez?
Queria saber das horas que ainda tenho de forças, quantas reservas, quanta força de abafamento ainda me sobra para conter os meus gritos, meus choros, meus ódios, meus ridículos amores, minhas feridas que recuso a tratar, minhas paixões pervertidas.
Quantas cinzas mais têm que cair?
Quantos passos mais tenho que dar?
Quantos riscos mais tenho que correr?
Quantas loucuras mais tenho que aplacar?
Que dias são esses que vivo são? Não consigo pensar direito, me fechei de todos os lados e não sei por onde sair. Nada sinto, nada vejo, nada ouço, nada penso. Estou morto em mim e sou meu próprio assassino. Calei-me e fechei-me nas rotinas, nos sistemas, no ser normal. Desejei tanto me tornar o que sou, mas agora vejo que não poderia calar totalmente esse diabo aqui dentro.
Romper.
O sonho é sempre: romper.
Saudades
Isabela,
Naiara,
Marina,
Fabiana,
Taciane,
Marina,
Letícia,
Ana Flávia,
Brunna,
Luiza,
Isabella,
Raquel,
Carolina,
Bianca,
Flávia,
Ana Luiza...
Saibam que dou pelas suas ausências.
Naiara,
Marina,
Fabiana,
Taciane,
Marina,
Letícia,
Ana Flávia,
Brunna,
Luiza,
Isabella,
Raquel,
Carolina,
Bianca,
Flávia,
Ana Luiza...
Saibam que dou pelas suas ausências.
domingo, 24 de abril de 2011
Eu que não sou.
Não sei bem o motivo pelo qual vou escrever isso, além de uma vontade que eu tenho agora. Constantemente sonho com outras vidas. Nada paranormal, nada espírita. Só gostaria de ser outras pessoas. A impossibilidade de alcançar a plenitude na vida, a eterna insatisfação à qual estamos todos fadados por sermos quem somos, raça humana; isso é o que me impulsiona.
Vejo sempre alguma coisa que me atrai, não coisas que eu queira ter e consumir, coisas materiais, mas outras coisas. Sempre me sinto assim quando observo alguém exercendo sua força de vontade, ou quando vejo filmes, seriados, ouço músicas, leio, leio sobre alguém... Ser somente o que sou nunca foi o bastante. Me sinto, de certa forma, seguro de mim, gosto de quem sou, mas isso apenas pela certeza de que me conheço bem e sei que todos os dias busco ser outro alguém. Já sei quão profundamente isso faz parte de mim. Não tenho uma personalidade forte, não sou autêntico; talvez traços de autenticidade passem por mim e brilhem diante das pessoas algumas vezes, mas apenas por eu ter consciência da minha patologia.
Toda minha vida sempre assumi um papel inteiramente importante e totalmente dispensável... Uma muleta, um túnel, uma ponte. Esses sempre foram os papéis que desempenhei. Há ainda aqueles que param sobre a ponte vez ou outra, admiram tudo aquilo que, com um apoio seguro sob seus pés, há para se admirar. Desconfio já há algum tempo que essa sensação de estar sempre de passagem, de tudo fugir de mim, esse sentimento frio de efemeridade, é conseqüência de quem sou. Ou melhor, de quem não sou.
Minha busca não é inteiramente em vão; não fico todos os dias tentando encontrar algo no que me segurar, algo melhor para brincar de ser. Busco um pouco, levianamente, encontro o que me agrade, vivo aquilo mais intensamente do que a maioria das pessoas vive toda a sua vida... Depois me canso e mudo. Esgoto a vontade de ser aquilo e busco a plenitude momentânea em outrem. Um novo personagem, novos traços para essas máscaras que venho construindo. Acho que como as pessoas fazem com as coisas, faço eu com os seres. São os seres o meu vício maldito.
Nunca consigo me culpar. Admito todos os meus defeitos, todos os dias, mas nenhum deles é de minha responsabilidade. A sensação de ter sido feito assim se sobrepõe a tudo isso. Defesa inconsciente? Proteção do meu sub-consciente para manter minha persona intacta da devastação que seria assumir qualquer coisa? Parece que sim, mas me falta estudo para confirmar essa suposição. Talvez alimentar um de meus personagens, o futuro psicólogo renomado, me ajude a decifrar essa dúvida.
Só agora, depois de escrever essas linhas, percebo que minha incapacidade de encontrar em mim mesmo qualquer qualidade, advém de todo o supracitado. Nada que faço bem... Nada que faço é meu, tudo pertence à meus personagens; talvez por isso odeie emprestar o que tenho, dar-me para alguém, confiar profundamente. Não sou desconfiado, apenas jamais tiro da cabeça duas frases de um dos seriados que assisto: "Jamais subestime a capacidade das pessoas de te decepcionar" e "Cuidado com o que você pensa que conhece sobre alguém. Você provavelmente está enganado".
Ainda me escondo na escuridão, apenas ponho minhas peles na luz, mais uma máscara, mais um personagem, este que agora vivo em plenitude, este que, talvez, amanhã esteja morto. Talvez não morra por completo, talvez eu abandone algumas partes dele e o remodele em outro vaso. Caminho sob o sol, mas a luz jamais poderia me atingir diretamente. Tenho que sentir o calor das coisas através de tipos, caras, bocas, peles, beijos de outro alguém. Estou preso dentro de tanta gente, tanta gente que eu mesmo inventei... Meu corpo é uma instância, uma pousada, um albergue de todos os meus outros "eus"... Um albergue no qual não me sobrou nenhuma cama. Vejo todos esses pedaços de gente passando, a alguns lhe falta um braço, uma perna... Já outros não estão completamente formados, e há aqueles que nem chegaram a ser, formas etéreas que ainda assombram os quartos dessa casa.
Duas amigas e uma ex-namorada já me disseram que têm medo de mim. Não sabem quando eu vou estar bem, quando estarei de mau humor, quando gritarei ou quando cairei em gargalhadas. Minha ex-namorada tinha até mesmo medo de que eu lhe agredisse fisicamente. Quando uma vez lhe perguntei: "-Você acha que eu seria capaz de te bater?", ela pausou e então respondeu, com os olhos de quem admite uma verdade não só para outro, mas para si mesmo: "-Não sei.". E por esse motivo eu canso as pessoas. Não sabem lidar com alguém que não é linear, eu sou impróprio para consumo diário. Mas não é porque eu seja louco ou - e escrevo isso um sorriso no rosto - um gênio incompreendido... é porque eu não sou. Os outros é que são através de mim. Talvez também se explique aqui a razão de eu gostar tanto do cristianismo. A idéia de não ser você, mas apenas um veículo do divino espírito santo, da palavra de Deus, de Deus ele próprio.
Vou dormir agora. Depois de escrever isso sinto-me ainda mais certo de mim, certo de que não sou, certo de que, quiçá, nunca fui - talvez em algum momento puro de minha infância, antes mesmo do que eu posso me lembrar, eu tenha sido, mas desde que me lembro, muito jovem, já tinha ânsias de ser outrem. E com essa clareza de pensamento, deito-me em instantes, provavelmente pensando no papel que vou desempenhar no espetáculo da rotina do dia que está porvir.
Por: Raphael Santos Rocha, 24 de abril de 2011, concluído às 22:29.
domingo, 17 de abril de 2011
Em busca de um teatro pobre
Não escrevo mais... Sentir que me levo comigo aonde quer que eu vá já me basta. Não me dou mais àqueles exercícios intelectuais. Leituras profundas e releituras de outrem; não, nada disso. Agora exploro o campo do sentir no corpo, do calor e do frio, da boa postura e da má conduta, da barba grande, do cabelo encaracolado comprido - e da perda de qualquer charme -, da dança, do canto, do pé no chão, do transmutar-me em água, luz e lentidão, da nota dada ainda invisível, sou todo tato e olfato e silêncio - e grito. Agora bamboleio, a priori, a posteriori , apenas formulo e aplico, leio e experimento. Quero conectar-me com essa parte esquecida de mim, este eu corpóreo e carnal; quero abraçar-me todo, cuidar de mim, jogar-me na beira e quase cair, salvar-me e doar um pouco menos de mim. Alcançar a tensão máxima, o samadhi, quebrar esta máscara inata, dissolver esta persona que me foi incutida sem qualquer consentimento - libertar-me da prisão do "eu". Ser poeta mais fingidor. Jogar. Gingar. Baloiçar. Aprender a atuar.
Minhamais nova paixão é o teatro.
Minha
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
"Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar."
Haia Pinkhasovna Lispector
Haia Pinkhasovna Lispector
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
1
No fim de tudo,
Maíra, é a palavra que derrama da pena.
Alice, é o sabor que enfraquece na boca.
Cíntia, é o tato firme sob minhas mãos.
São as mulheres a emenda em minha vida.
Maíra, é a palavra que derrama da pena.
Alice, é o sabor que enfraquece na boca.
Cíntia, é o tato firme sob minhas mãos.
São as mulheres a emenda em minha vida.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Medo
Que não confesso a ninguém,
nem a mim mesmo:
Me ponho de pé, longas horas,
encarando as luzes nesse quarto,
não porque gosto da noite,
mas porque temo assustadoramente a escuridão.
Diário
Tenho andado de coração mais leve, de cabeça vazia. Os anos vieram e não me sinto, ainda, mais sábio, mais preparado ou mais perto do fim dessa jornada - não de vida, mas de conquistas. Parece que hoje, como há dez anos atrás, estou a ter que inciar ainda muitos estudos e viagens, mas me pego infantil e tolo, fazendo piadas para que ela sorria ou escrevendo por sobre as margens para transgredir mais uma norma.
Temo pela saúde e pelo sustento de minha mãe, pelo amor de meu pai. Em meio a eles, tudo o que restou foi esse trapo a quem chamam: "meu filho". Sujeito imaturo e fracassado, dado à música e à escrita, sem feitos, frutos ou graduações.
Seu irmão, homem forte e feito que é, lhe faz lembrar a todo instante em que tipo está se tornando. Mesmo com todos os tropeços que cometera, ganha a vida, alimenta e educa sua filha. Ele mesmo nada possui.
Me perdendo assim a falar de mim mesmo na terceira pessoa, me faço rir. Mr. Mojo Rising, repetidas vezes ecoando pelo quarto. O que fará agora? Guardar a pequena caderneta na qual deposita suas palavras, cobrir-se com um fino lençol que não lhe incomode na pele, fechar os olhos. Adormecer e em sonhos distrair-se um pouco. Pela manhã mentir para si mesmo que os planos certos são estes, que todo o restante há de se acertar. Negar ainda mais um pouco a idéia de abandonar a futura escola de teatro para poder começar a ganhar algum dinheiro. Negar ainda mais a certeza de que dentro de menos de um trimestre terá que voltar à universidade, amargando já pelas futuras aulas que irá ministrar.
Uma última olhada no relógio, outra no céu - para perceber que começa já a amanhecer. Guarda sua caderneta e apaga as luzes. Então, tudo lhe é alheio... E ainda não venceu seu medo da escuridão.
Temo pela saúde e pelo sustento de minha mãe, pelo amor de meu pai. Em meio a eles, tudo o que restou foi esse trapo a quem chamam: "meu filho". Sujeito imaturo e fracassado, dado à música e à escrita, sem feitos, frutos ou graduações.
Seu irmão, homem forte e feito que é, lhe faz lembrar a todo instante em que tipo está se tornando. Mesmo com todos os tropeços que cometera, ganha a vida, alimenta e educa sua filha. Ele mesmo nada possui.
Me perdendo assim a falar de mim mesmo na terceira pessoa, me faço rir. Mr. Mojo Rising, repetidas vezes ecoando pelo quarto. O que fará agora? Guardar a pequena caderneta na qual deposita suas palavras, cobrir-se com um fino lençol que não lhe incomode na pele, fechar os olhos. Adormecer e em sonhos distrair-se um pouco. Pela manhã mentir para si mesmo que os planos certos são estes, que todo o restante há de se acertar. Negar ainda mais um pouco a idéia de abandonar a futura escola de teatro para poder começar a ganhar algum dinheiro. Negar ainda mais a certeza de que dentro de menos de um trimestre terá que voltar à universidade, amargando já pelas futuras aulas que irá ministrar.
Uma última olhada no relógio, outra no céu - para perceber que começa já a amanhecer. Guarda sua caderneta e apaga as luzes. Então, tudo lhe é alheio... E ainda não venceu seu medo da escuridão.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
The Raven, by Edgar Alan Poe
| Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary, Over many a quaint and curious volume of forgotten lore, While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping, As of some one gently rapping, rapping at my chamber door. `'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door - Only this, and nothing more.' Ah, distinctly I remember it was in the bleak December, And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor. Eagerly I wished the morrow; - vainly I had sought to borrow From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore - For the rare and radiant maiden whom the angels named Lenore - Nameless here for evermore. And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before; So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating `'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door - Some late visitor entreating entrance at my chamber door; - This it is, and nothing more,' Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer, `Sir,' said I, `or Madam, truly your forgiveness I implore; But the fact is I was napping, and so gently you came rapping, And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door, That I scarce was sure I heard you' - here I opened wide the door; - Darkness there, and nothing more. Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing, Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before; But the silence was unbroken, and the darkness gave no token, And the only word there spoken was the whispered word, `Lenore!' This I whispered, and an echo murmured back the word, `Lenore!' Merely this and nothing more. Back into the chamber turning, all my soul within me burning, Soon again I heard a tapping somewhat louder than before. `Surely,' said I, `surely that is something at my window lattice; Let me see then, what thereat is, and this mystery explore - Let my heart be still a moment and this mystery explore; - 'Tis the wind and nothing more!' Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter, In there stepped a stately raven of the saintly days of yore. Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he; But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door - Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door - Perched, and sat, and nothing more. Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling, By the grave and stern decorum of the countenance it wore, `Though thy crest be shorn and shaven, thou,' I said, `art sure no craven. Ghastly grim and ancient raven wandering from the nightly shore - Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!' Quoth the raven, `Nevermore.' Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly, Though its answer little meaning - little relevancy bore; For we cannot help agreeing that no living human being Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door - Bird or beast above the sculptured bust above his chamber door, With such name as `Nevermore.' But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only, That one word, as if his soul in that one word he did outpour. Nothing further then he uttered - not a feather then he fluttered - Till I scarcely more than muttered `Other friends have flown before - On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before.' Then the bird said, `Nevermore.' Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken, `Doubtless,' said I, `what it utters is its only stock and store, Caught from some unhappy master whom unmerciful disaster Followed fast and followed faster till his songs one burden bore - Till the dirges of his hope that melancholy burden bore Of "Never-nevermore."' But the raven still beguiling all my sad soul into smiling, Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door; Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore - What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore Meant in croaking `Nevermore.' This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core; This and more I sat divining, with my head at ease reclining On the cushion's velvet lining that the lamp-light gloated o'er, But whose velvet violet lining with the lamp-light gloating o'er, She shall press, ah, nevermore! Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor. `Wretch,' I cried, `thy God hath lent thee - by these angels he has sent thee Respite - respite and nepenthe from thy memories of Lenore! Quaff, oh quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!' Quoth the raven, `Nevermore.' `Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil! - Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore, Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted - On this home by horror haunted - tell me truly, I implore - Is there - is there balm in Gilead? - tell me - tell me, I implore!' Quoth the raven, `Nevermore.' `Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil! By that Heaven that bends above us - by that God we both adore - Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn, It shall clasp a sainted maiden whom the angels named Lenore - Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels named Lenore?' Quoth the raven, `Nevermore.' `Be that word our sign of parting, bird or fiend!' I shrieked upstarting - `Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore! Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken! Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door! Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!' Quoth the raven, `Nevermore.' And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting On the pallid bust of Pallas just above my chamber door; And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming, And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor; And my soul from out that shadow that lies floating on the floor Shall be lifted - nevermore! |
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Poem
Take the high road,
the devil's eye,
all of us, mankind,
drifting towards the last remaning light.
I put a thousand miles,
under my wheels,
yet and still, too close,
to you I feel.
So come, pull the sheet
over my eyes
the devil's eye,
all of us, mankind,
drifting towards the last remaning light.
I put a thousand miles,
under my wheels,
yet and still, too close,
to you I feel.
So come, pull the sheet
over my eyes
so I can sleep tonight,
despite of what I've seen today.
I find you guilty of a crime,
of sleeping at a time
when you should've been
wide awake.
despite of what I've seen today.
I find you guilty of a crime,
of sleeping at a time
when you should've been
wide awake.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Empilhar livros e nunca conseguir as respostas.
As pessoas, sempre tão cheias de si, esquecem que não importa o quanto elas corram, no final das contas, nos deitamos todos iguais. Perseguir os sonhos é para os idiotas, as grandes desventuras e criações dos gênios vêm até eles naturalmente. Tentar ser grande, esperar que batalhando pela vida (e contra a vida) você acabe se tornando alguém é apenas mais um mentira gostosa de acreditar. Nunca se perguntar que impulso é esse que te move, não fechar os olhos nunca, mas nunca olhar na direção da verdade. Precisar de muitas coisas e acumular tudo que puder parece ser a grande premissa desse ciclo. E todos os homens e todas as mulheres que engolem a seco os dias, são homens e mulheres infinitamente melhores que eu. Nenhum dos meus tão profundos devaneios tirou a fome do meu corpo - ou me deu respostas para qualquer coisa.
Questionar tudo isso não te leva a lugar algum. Perguntar não te traz as respostas. Se sentir deslocado não te faz especial ou, tão pouco, genial. Na maior parte das vezes "não se encaixar" é só um sinal da sua incompetência, falta de maturidade, fraca força de vontade ou da sua imensa teimosia. Os grandes homens estão aí fora, todo o tempo. Você, fracassado que é, os observa relutante em aceitar que, com tantos livros ao seu redor, você nunca foi capaz de crescer ou conquistar tanto quanto eles. Se morde de inveja e se agarra em suas páginas, usando tudo que lhe resta de força para acreditar que algum desses autores pode lhe dar qualquer resposta.
Questionar tudo isso não te leva a lugar algum. Perguntar não te traz as respostas. Se sentir deslocado não te faz especial ou, tão pouco, genial. Na maior parte das vezes "não se encaixar" é só um sinal da sua incompetência, falta de maturidade, fraca força de vontade ou da sua imensa teimosia. Os grandes homens estão aí fora, todo o tempo. Você, fracassado que é, os observa relutante em aceitar que, com tantos livros ao seu redor, você nunca foi capaz de crescer ou conquistar tanto quanto eles. Se morde de inveja e se agarra em suas páginas, usando tudo que lhe resta de força para acreditar que algum desses autores pode lhe dar qualquer resposta.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Fragmentos
"Para mim você, com suas virtudes e defeitos sempre foi bom demais para ser verdade. De verdade"
"Mesmo sendo pouco tempo comparado ao que eu quero passar ao seu lado: feliz sétimo mês. Te amo, minha vida."
"Que se passem os dias, meses, anos. Você foi a esperança dos meus tempos de solidão, você é a essência dos meus tempos de felicidade e será a certeza dos meus tempos de fé. Que nossos olhos nunca percam o brilho."
"Assim como o poeta só é grande se sofrer.
Assim como uma nuvem só acontece se chover.
Não há um você sem mim. Não há um eu sem você."
"Alegria dos meus dias que em questão de segundos elimina toda a tristeza e me faz sentir bem. Te amo"
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Conselhos
A armadilha do tempo é traiçoeira. Nunca dei valor ao que me disseram os mais velhos, os enrugados e desistentes, aqueles que deixaram de lado seus sonhos para se segurar aqui e conseguir passar mais um dia sem chorar. Eu passei tempo demais acreditando em vidas plásticas que via na TV, a liberdade e a autoafirmação de Will, o dinheiro fácil e a promiscuidade de Charlie, os seis amigos perfeitos que nunca se separam. Achei que era tudo ficção e percebi que me deixei levar. Não me dei conta, mas passei a acreditar e desejar tudo aquilo que eu, avidamente, assistia acontecer, episódio por episódio. Me afundei em livros, em leituras, em escrever, imaginar, todas essas atividades boas para a alma e más para o bolso. Hoje me vejo no ponto em que deveria escolher meu futuro, o momento no qual eu deveria estar preparado e daí então, dar um passo.
Não me preparei, não estudei o bastante, não conheci a burocracia tão bem quanto deveria. Tudo que tenho são quatrocentas e duas mil páginas de ficção, um coração frágil demais e uma falta de maturidade de dar medo. As minhas faculdades mentais desaceleraram, entraram no ritmo dos desejos e sonhos. Esses os quais ruíram e sepultaram minha felicidade. Contento-me com coisas poucas, tento ser pequeno e pensar menor ainda. Talvez um emprego, uma casa de quatro cômodos numa favela qualquer, eu realmente não me importo. Desde que eu possa levar comigo todas as minhas mentiras, todos os meus livros e o meu violão.
Sempre fui dado às artes, sempre amei música e me deliciei com tudo que eu podia encontrar de melhor. Sempre excitei-me com histórias inventadas, vidas passadas que nunca existiram, narrações diretas, personagens planas, pequenas ilusões em tinta preta e papel branco. Jovens heróis modernos ou antigos amores impossíveis, todos esses, mentiram para mim.
Se me fosse reservada a tarefa de dar um conselho à próxima geração, não teria dúvidas: Todos aqueles "dados à arte", se matem. O mundo não foi feito para vocês, as engrenagens não rodam para o seu favor. Tudo é pragmático e bruto. Deixem apenas os poucos e bons que conseguem conciliar sua estupidez pela arte, com sua regular vida mecânica. Não há esperança em sonhos feitos de papel e melodia. Tudo se move linearmente, sem vacilar. Não há espaço para uma vida diferente dessa. Desistam agora, por favor.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Metade de mim é vazio, a outra é solidão.
Me levantar agora é realmente um desafio. A cama geme, as mãos doem, os olhos ardem, a respiração falha e o sol sempre ali. Acho que negligencio a idéia de fechar as janelas quando me deito só para poder ser acordado pelo sol de novo. Suar de novo, reclamar de novo, me levantar de novo. Um ar parado que não deixa esse lugar, eu respiro a mesma coisa já a alguns meses. Não tenho mais gosto por filmes nem por música. A melancolia que tudo me passa é gritante, a banalidade também.
Já sinto que não me aguento nisso tudo que me prende. As paredes do quarto estão mais próximas, meus livros ficaram menores, a casa agora me sufoca e enlouquece. A minha proteção, mais uma vez me engana. Minhas escolhas estão erradas, novamente. O choro não me vem, nem o sorriso verdadeiro. Insensível, alheio para as coisas do mundo, alimentando uma antiga sociofobia agora redescoberta. Sou o produto dos meus erros, subtração dos meus acertos (tão poucos). Frio que sou me gelo e num instante estou a gritar por qualquer coisa, meu ego infla e sou egoísta, no que posso me agarro e tudo me ofende. Pessoal, egocêntrico, preguiçoso e irresponsável. Traços de psicopatia e depressão. Nem mesmo diagnosticado eu fui, procurei resposta e tudo que me deram foram traços. Nem nos meus defeitos sou completo. Não sou bom nem ruim o bastante. Eu não sou ninguém. Não me deixo enganar pela imagem gerada por esse inconsciente. Sombra que move o meu pensar e meu agir. Eu não existo. Tudo que sou é uma ilusão gerada por uma mente consciente e inexplicável, formada por sinapses e reações químicas.
Quando me resumo em fórmulas, tudo perde o sentido. O texto mudaria aqui, mas como todo o resto, não consigo terminar. Me falta palavra e talento. Com o silêncio eu sei lidar, mas quando é que vou me acostumar ao desespero?
sexta-feira, 25 de junho de 2010
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